Por Flávia Santanna, com informações do Sindirochas
O setor de rochas ornamentais do Espírito Santo vive um momento em que inovação, eficiência industrial e competitividade internacional passaram a caminhar juntos. E uma movimentação recente começa a abrir uma nova frente de oportunidades para empresas da cadeia produtiva: o avanço dos programas de incentivo à inovação e financiamento tecnológico no Estado.
O tema ganhou força após o anúncio de uma série de editais de subvenção econômica e incentivo à inovação lançados pelo Governo do Espírito Santo, por meio da Fapes (Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo). A iniciativa prevê cerca de R$ 300 milhões em investimentos em Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I) ao longo de 2026, com 34 editais programados, sendo 12 inéditos.
A movimentação colocou o Espírito Santo entre os estados brasileiros com maior número de editais voltados ao mercado e ao desenvolvimento empresarial. Para uma indústria como a de rochas naturais, que vem acelerando investimentos em automação, beneficiamento, sustentabilidade e digitalização industrial, o cenário passa a chamar atenção.
Finep pelo Brasil aproxima setor de rochas da pauta da inovação
Ao mesmo tempo em que os editais estaduais avançam, o próprio setor começou a se aproximar oficialmente desse debate.
Recentemente, o Sindirochas recebeu uma edição do programa Finep pelo Brasil, iniciativa promovida para aproximar empresas das linhas de financiamento e incentivo à inovação disponíveis no país. O encontro reuniu instituições ligadas à tecnologia, desenvolvimento industrial e fomento empresarial, ampliando o diálogo entre a indústria de rochas e os mecanismos de incentivo à inovação.

Divulgação: Sindirochas
A realização do encontro dentro do Sindirochas ajuda a mostrar uma mudança importante de cenário: a pauta da inovação deixou de circular apenas entre startups e empresas de tecnologia e passou a entrar diretamente na indústria de base, incluindo mineração, beneficiamento e transformação mineral.
Para Felipe Souza, especialista em editais de subvenção na empresa Capivarafy, esse movimento também acompanha uma postura mais ativa do próprio Espírito Santo em relação ao incentivo à inovação.
Segundo ele, existe hoje uma combinação importante entre atuação federal e estadual para impulsionar novos projetos industriais e tecnológicos.
Oportunidade para modernização e competitividade
Na prática, os programas apresentados podem abrir caminhos para empresas do setor captarem recursos destinados a desenvolvimento tecnológico, modernização industrial, pesquisa aplicada, eficiência operacional e sustentabilidade, inclusive com linhas de financiamento e recursos a fundo perdido.
Nos últimos anos, empresas capixabas ampliaram aplicações em maquinário CNC, automação de linhas produtivas, reaproveitamento de resíduos, inteligência de produção, rastreabilidade e tecnologias voltadas à redução de perdas industriais. Em paralelo, cresce a pressão internacional por processos mais sustentáveis e alinhados a critérios ESG.
Hoje, exportar não depende apenas da qualidade da pedra. Existe uma cobrança cada vez maior por eficiência produtiva, controle ambiental, rastreabilidade e capacidade tecnológica.
Recursos a fundo perdido entram no radar das empresas
Dentro desse contexto, os editais passam a ser vistos não apenas como incentivo público, mas como instrumentos de competitividade industrial.
Entre os programas já anunciados pela Fapes estão iniciativas como Doutorado Sanduíche, Dr. Empreendedor Capixaba, Programa Gênesis, Extensão Tecnológica e o edital Nova Economia Capixaba, que prevê selecionar mais de 20 empresas do Espírito Santo para receber recursos na ordem de R$ 3 milhões.
Para Felipe Souza, uma das maiores oportunidades para a indústria está justamente no acesso ao capital subsidiado.
Ele também chama atenção para o atual cenário econômico brasileiro e para a importância estratégica desses recursos dentro da indústria.
A burocracia ainda existe, mas o setor começa a se movimentar
Mesmo com o avanço dos programas de incentivo, Felipe reconhece que ainda existe uma barreira operacional para muitas empresas. “Ainda são processos burocráticos, infelizmente. Existe sim um movimento de facilitação e melhora, mas ainda estamos nessa jornada”, explica.
Segundo ele, a entrada das empresas nesse universo normalmente exige acompanhamento técnico especializado. “A primeira participação de uma empresa nesse tipo de edital geralmente requer o acompanhamento de uma consultoria especializada, principalmente para ampliar as chances de sucesso.”
A presença do Finep pelo Brasil dentro do Sindirochas reforça justamente essa tentativa de aproximar o setor mineral das linhas de inovação disponíveis hoje no país.
Em uma indústria cada vez mais pressionada por produtividade, tecnologia e posicionamento internacional, acessar recursos voltados à inovação pode se tornar um diferencial importante para empresas que pretendem crescer nos próximos anos, especialmente em um mercado onde eficiência operacional passou a impactar diretamente competitividade e margem.




