Por Flávia Santanna, para marbows
Em um setor onde a qualidade do material sempre foi protagonista, um novo movimento começa a ganhar espaço: a qualificação de quem está por trás dele.
Durante a Marmomac Brazil, a Akemi Brasil apresentou uma iniciativa que vai além do desenvolvimento de produtos. Em parceria com o SENAI de Cachoeiro de Itapemirim, a empresa passa a investir diretamente na formação técnica de profissionais da cadeia de rochas ornamentais, um passo que responde a uma necessidade antiga, mas ainda pouco enfrentada de forma estruturada. Essa decisão, no entanto, não surgiu agora.

Divulgação: Marmomac Brazil
Segundo Alexandre Garcia, diretor e químico da Akemi Brasil, a educação sempre esteve presente na base da empresa.

Alexandre Garcia, Diretor e Químiro responsável da Akemi Brasil e Rhoy Herculano, Tecnólogo em Rochas Ornamentais e Técnico da Akemi em Cachoeiro de Itapemirim
Quando o problema não está no produto
A motivação para estruturar os cursos nasce de um cenário recorrente: falhas na aplicação, uso inadequado de materiais e decisões técnicas baseadas apenas em custo imediato.
Na prática, isso se traduz em retrabalho, perda de qualidade e prejuízos ao longo do tempo.
Esse olhar revela um ponto sensível do setor: ainda existe uma distância entre a tecnologia disponível e a forma como ela é aplicada no dia a dia.
Uma cadeia inteira que precisa evoluir
Ao contrário do que muitos imaginam, o desafio não está concentrado em uma única etapa. A falta de qualificação percorre toda a cadeia, da pedreira à instalação final.
O ponto crítico é que, muitas vezes, essas etapas não conversam entre si. Quem extrai não acompanha como a rocha será aplicada. Quem vende, nem sempre entende o comportamento do material. E quem instala, frequentemente recebe um produto sem histórico técnico claro.
Rhoy Herculano, técnico da Akemi em Cachoeiro, reforça essa visão prática do dia a dia.
A parceria com o SENAI e o acesso à formação
A parceria com o SENAI surge como um movimento natural dentro dessa proposta de evolução do setor mas, principalmente, como uma forma de ampliar o alcance do conhecimento técnico.
Se antes a capacitação acontecia, em sua maioria, dentro das empresas ou com profissionais já inseridos no mercado, agora ela passa a alcançar também quem está entrando na área.

Alexandre Garcia e Rhoy Herculano em reunião de alinhamento com o SENAI de Cachoeiro (Divulgação: Akemi Brasil)
O cursos desenvolvidos tem carga horária de 60 horas e foi estruturado para integrar diferentes frentes do processo, algo ainda pouco comum no setor. Em vez de tratar os temas de forma isolada, a formação conecta patologias em rochas, resinagem e técnicas de aplicação dentro de uma mesma lógica.
Outro ponto relevante está no próprio papel do SENAI. Reconhecido nacionalmente pela formação técnica, o instituto amplia a legitimidade da iniciativa e ajuda a estruturar o conhecimento de forma mais acessível, padronizada e contínua.
Além disso, a parceria abre espaço para um novo perfil de aluno: jovens em formação, profissionais em transição e pessoas que ainda não tiveram contato direto com o setor, mas passam a enxergá-lo como oportunidade.
Além da formação via SENAI, a Akemi já mantém uma estrutura própria de treinamentos, com cursos técnicos aplicados diretamente em empresas, equipes de produção e áreas comerciais.
O erro mais comum e mais caro
Durante a conversa, um ponto aparece de forma unânime: a falta de proteção adequada das rochas.
Mesmo sendo um material resistente, a rocha é natural e sensível. Sem o tratamento correto, pode sofrer com infiltrações, manchas e desgaste ao longo do tempo, muitas vezes só percebidos depois da instalação, quando o custo de correção já é alto.
Outro ponto crítico está na falsa sensação de domínio técnico.
No setor, onde cada material reage de forma diferente, confiar apenas na experiência pode não ser suficiente. Sem conhecimento técnico e abertura para revisar processos, o erro deixa de ser pontual e passa a se repetir.
Cursos e como participar
A formação desenvolvida em parceria com o SENAI é estruturada como um curso único, com carga horária aproximada de 60 horas, que reúne diferentes conteúdos técnicos em uma mesma jornada de aprendizado.
Entre os temas abordados estão o tratamento de patologias em rochas ornamentais, os processos de preparação e resinagem de materiais e as técnicas de colagem e aplicação. Os interessados podem se inscrever diretamente pelo portal do SENAI, na unidade de Cachoeiro de Itapemirim, por meio do site.














