Ceará em 2025: a virada que colocou o estado no radar global das rochas naturais

Por Flávia, para Marbows

O Ceará fechou 2025 com o maior salto da sua série recente nas exportações de rochas naturais: alta de 141,3% e US$ 110,3 milhões no acumulado de janeiro a dezembro, conforme dados apresentados pelo Centrorochas (2026). Não é apenas um crescimento forte, é um recado claro para o mercado internacional: existe um novo eixo de protagonismo se consolidando, com o quartzito como estrela absoluta e com destinos comprando em volume recorde.

Quando um estado sai de US$ 45,7 milhões em 2024 para US$ 110,3 milhões em 2025, o que muda não é só o tamanho do embarque, muda a conversa, muda a forma como importadores passam a enxergar a origem, como especificadores olham para o material, como a cadeia precisa se organizar para sustentar reputação. 

Há números que informam e há números que reposicionam. O crescimento de 2025 fica ainda mais expressivo quando visto em sequência:

  • 2021: US$ 37,9 milhões
  • 2022: US$ 39,9 milhões
  • 2023: US$ 35,3 milhões
  • 2024: US$ 45,7 milhões
  • 2025: US$ 110,3 milhões, recorde

Em outras palavras: o mercado vinha oscilando, ganhou tração em 2024 e, em 2025, acelerou de forma rara e esse tipo de salto raramente é “acidente” e costuma ser o encontro de três forças: demanda externa puxando, portfólio certo ganhando preferência e capacidade operacional suportando a entrega. Aqui está o ponto mais elegante do dado: 2025 não foi um pico isolado para um único destino ou um único cliente. O crescimento foi sustentado por um mapa de compras que, por si só, já funciona como validação.

O mundo comprou mais, e comprou melhor

Entre os principais destinos de 2025, cinco de seis registraram recorde de volume. Isso importa porque recorde não é só volume, é consistência de relacionamento comercial, confiança na entrega, repetição de compra.

  • Itália lidera com 50,5% das exportações, somando US$ 55,6 milhões, alta de 110,4%.
  • China vem na sequência com 23,3%, US$ 25,8 milhões, alta de 309,6%.
  • Estados Unidos aparecem com 20,5%, US$ 22,6 milhões, alta de 115,9%.
  • Depois, Turquia com US$ 1,8 milhão, alta de 68,9%, e Índia com US$ 901,7 mil, alta de 1653,3%.
  • O México fecha o grupo com US$ 770,1 mil, alta de 394,0%.

Nossa leitura aqui é direta: quando Itália, China e Estados Unidos crescem simultaneamente, não estamos falando de um único tipo de compra, pois são mercados com dinâmicas diferentes, exigências diferentes e usos diferentes e é como se o material cearense estivesse “passando em mais de uma prova” no mesmo ano.

Itália: quando o mercado vira espelho

A Itália, por si só, já conta uma história dentro da história e o desempenho para o país evoluiu assim:

  • 2021: US$ 18,2 milhões
  • 2022: US$ 21,2 milhões
  • 2023: US$ 21,2 milhões, praticamente estável
  • 2024: US$ 26,5 milhões
  • 2025: US$ 55,6 milhões, recorde

O salto de 2025, com 110,4% de crescimento, reforça o papel italiano como vitrine e termômetro. A Itália é um mercado que, em geral, valoriza regularidade, lote bem definido, performance de material e previsibilidade. Quando esse destino lidera com metade do total exportado, o Ceará não está apenas vendendo, está sendo escolhido de forma recorrente.

Quartzito: o protagonista que puxou o estado para o topo

Se existe um dado que explica 2025 em uma frase, ele é este: o quartzito respondeu por 90,5% das exportações do Ceará e no acumulado do ano, o quartzito somou US$ 99,8 milhões, com alta de 174,1%. Já o restante do mix fica atrás:

  • Granito: 7,6%, US$ 8,4 milhões, alta de 7,0%
  • Outras rochas: 1,9%, US$ 2,1 milhões, alta de 51,5%
  • Mármore: participação residual, US$ 14,5 mil, queda de 85,1%

Esse retrato deixa o Ceará com uma assinatura muito clara para o mercado internacional: quartzito não é “um item do portfólio”, é a identidade exportadora de 2025.

E o quartzito não cresce só porque é bonito, cresce porque é um material que conversa com uma agenda global: valorização do natural, preferência por superfícies expressivas, necessidade de performance, e uma busca por peças que não pareçam industrializadas. Além disto o quartzito também entrega estética, entrega presença, e quando bem selecionado e bem trabalhado, entrega confiança.

Só que esse protagonismo traz uma responsabilidade proporcional: o mercado que compra quartzito em escala costuma querer previsibilidade de padrão, estabilidade de fornecimento e quando falamos em rocha natural, isso exige disciplina em três pontos: seleção, classificação e consistência de lote.

Por trás do recorde existe um detalhe pouco falado: confiança operacional

Há um romantismo legítimo na rocha natural, cor, veios, textura, luz. Mas exportação recorde não nasce apenas do que é bonito. Nasce do que é confiável.

Para um material sair do Ceará e ganhar o mundo em volume recorde, ele precisa atravessar uma cadeia inteira sem ruído: extração, blocagem, beneficiamento, padronização, embalagem, documentação, prazos, logística, atendimento comercial. Quando cinco destinos batem recorde, é um sinal indireto de que a engrenagem girou com menos atrito e isso muda a percepção de origem.

O comprador internacional não compra só uma chapa, ele compra a segurança de que a próxima carga virá com padrão parecido, com documentação correta, com um nível de previsibilidade que não comprometa a obra, estoque e cronograma e é aí que o crescimento vira reputação.

O que 2025 ensina, e o que 2026 vai cobrar

Escala com controle: Crescer rápido é sedutor, mas o que sustenta o ciclo é controle de qualidade e consistência de lote. Quartzito é desejado, e justamente por isso é mais cobrado.

Dependência de mix: Quando 90,5% do valor exportado está concentrado em um material, o estado ganha foco, mas também assume um risco de concentração. O lado bom é a especialização. O desafio é manter o padrão do protagonista e, ao mesmo tempo, fortalecer alternativas sem diluir identidade.

Consolidação de destinos: Itália, China e Estados Unidos puxaram 2025. O passo seguinte é consolidar relacionamento e reduzir volatilidade: mais recorrência, mais previsibilidade, mais “cadeia longa”, do primeiro embarque à recompra.

E é aqui que entram as projeções para 2026. 

Se 2025 foi o ano em que o Ceará chamou atenção, 2026 tende a ser o ano em que o Ceará precisa provar que o recorde não foi um evento, e sim colocou o estado em um novo patamar.

Toda região exportadora sonha com o momento em que deixa de ser apenas fornecedora e passa a ser referência. 2025 foi um ano com sinais claros desse movimento para o Ceará, pois o mercado internacional respondeu com volume, com recordes em destinos estratégicos e com uma concentração inequívoca no quartzito. 

Agora, a pergunta que fica para a próxima temporada não é “dá para crescer?” pois 2025 já respondeu. A pergunta de 2026 é mais exigente: dá para crescer mantendo padrão, previsibilidade e reputação? Porque, no fim, é isso que transforma um bom ano em uma origem consagrada: repetição com qualidade, lote a lote, carga a carga, projeto a projeto.

Fonte dos dados: Centrorochas (2026).

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