Resultado do mês interrompe sequência de crescimento observada em 2025, mas análise dos dados mostra que a desaceleração está concentrada em mercados e produtos específicos, enquanto outros segmentos seguem demonstrando força.
Por Flávia Santanna, com informações do Centrorochas
O setor brasileiro de rochas naturais encerrou maio de 2026 com um dado que inevitavelmente chamou a atenção do mercado. Segundo levantamento divulgado pela Centrorochas, as exportações do mês totalizaram US$ 117,3 milhões, uma queda de 25,7% em comparação com maio de 2025.
À primeira vista, o resultado pode sugerir uma mudança brusca de trajetória para uma indústria que vem acumulando recordes e consolidando sua presença nos principais mercados internacionais. No entanto, uma leitura mais aprofundada dos números mostra que o cenário é mais complexo do que uma simples retração das exportações.
Embora o desempenho de maio tenha sido inferior ao registrado no mesmo período do ano passado, o acumulado dos cinco primeiros meses de 2026 alcançou US$ 545,9 milhões. O valor representa uma redução de 11,8% frente ao mesmo intervalo de 2025, mas permanece acima dos resultados observados em 2022, 2023 e 2024. O dado sugere que o setor atravessa um processo de acomodação após um ciclo excepcional de crescimento, e não necessariamente uma perda estrutural de competitividade.
O peso dos Estados Unidos continua determinando o ritmo do setor
Quando se busca entender as razões por trás da desaceleração observada em maio, a resposta passa inevitavelmente pelos Estados Unidos.
O mercado norte-americano continua sendo o principal destino das rochas naturais beneficiadas produzidas no Brasil e exerce influência direta sobre os resultados da cadeia exportadora. Os números divulgados pela Centrorochas mostram que, entre janeiro e maio de 2026, as exportações brasileiras de manufaturados para os Estados Unidos somaram US$ 269,8 milhões, registrando queda de 25,3% em relação ao mesmo período do ano anterior.
A retração ganha dimensão ainda maior quando analisada sob uma perspectiva histórica. Em 2025, os Estados Unidos haviam absorvido US$ 361,4 milhões em rochas brasileiras no acumulado até maio, consolidando-se como o principal motor do crescimento do setor. O recuo observado neste ano praticamente devolve o mercado ao patamar registrado em 2022.
Essa dependência não é novidade para a indústria. Durante décadas, os Estados Unidos desempenharam papel fundamental na expansão das exportações brasileiras, especialmente em materiais destinados aos segmentos de arquitetura, construção e design de interiores. O desafio é que essa mesma relevância torna o setor mais vulnerável aos movimentos da economia americana.
A combinação entre juros elevados, desaceleração do mercado imobiliário e um ambiente de maior cautela nos investimentos em construção ajuda a explicar o comportamento mais conservador dos compradores. O reflexo aparece diretamente nas estatísticas brasileiras.
Enquanto os EUA recuam, a China amplia sua presença
Se os números dos Estados Unidos ajudam a explicar a queda, a China surge como um dos principais contrapontos positivos do levantamento.
No segmento de rochas brutas, o mercado chinês registrou crescimento de 44,9% no acumulado entre janeiro e maio, alcançando US$ 117,3 milhões em importações de materiais brasileiros. O desempenho reforça uma tendência observada nos últimos anos: a ampliação gradual da participação chinesa na pauta exportadora nacional.
Embora o perfil de compra seja diferente daquele praticado pelos Estados Unidos, o crescimento chinês demonstra que a demanda internacional pelas rochas brasileiras continua ativa. Mais do que isso, revela que o setor vem encontrando oportunidades em mercados capazes de reduzir sua dependência de um único comprador.
A consolidação da China como principal destino das rochas brutas brasileiras não elimina a importância do mercado americano, mas contribui para tornar a balança comercial do setor mais diversificada e menos suscetível às oscilações de uma única economia.
Quartzito confirma protagonismo e resiste à desaceleração
Se os números dos Estados Unidos ajudam a explicar a queda, a China surge como um dos principais contrapontos positivos do levantamento.
No segmento de rochas brutas, o mercado chinês registrou crescimento de 44,9% no acumulado entre janeiro e maio, alcançando US$ 117,3 milhões em importações de materiais brasileiros. O desempenho reforça uma tendência observada nos últimos anos: a ampliação gradual da participação chinesa na pauta exportadora nacional.
Embora o perfil de compra seja diferente daquele praticado pelos Estados Unidos, o crescimento chinês demonstra que a demanda internacional pelas rochas brasileiras continua ativa. Mais do que isso, revela que o setor vem encontrando oportunidades em mercados capazes de reduzir sua dependência de um único comprador.
A consolidação da China como principal destino das rochas brutas brasileiras não elimina a importância do mercado americano, mas contribui para tornar a balança comercial do setor mais diversificada e menos suscetível às oscilações de uma única economia.
Quartzito confirma protagonismo e resiste à desaceleração
Entre todos os dados divulgados pela Centrorochas, poucos são tão reveladores quanto aqueles relacionados aos materiais exportados.
O quartzito manteve sua posição de liderança absoluta na pauta exportadora brasileira, movimentando US$ 323,7 milhões entre janeiro e maio. O mais interessante, porém, não é apenas o volume exportado, mas sua capacidade de resistência diante de um cenário de retração.
Enquanto o setor como um todo acumula queda de 11,8%, o quartzito registrou redução de apenas 3,7%. A diferença se torna ainda mais evidente quando comparada ao desempenho de outras categorias. As exportações de granito recuaram 21,8%, enquanto o mármore apresentou queda de 30,6%.
Os números reforçam uma percepção já consolidada entre empresários e especialistas do setor: o quartzito brasileiro deixou de ser uma tendência passageira para se tornar um produto consolidado nos principais mercados internacionais. Sua combinação de resistência, exclusividade estética e alto valor agregado continua encontrando espaço em projetos de arquitetura de alto padrão ao redor do mundo, mesmo em momentos de maior cautela econômica.
Os nichos que continuam crescendo
Apesar do cenário de desaceleração, alguns segmentos seguem apresentando resultados positivos e ajudam a mostrar que o mercado internacional continua oferecendo oportunidades para produtos específicos.
O principal destaque é o travertino, que registrou crescimento de 30,8% no acumulado do ano. Embora represente uma parcela menor da pauta exportadora brasileira, o desempenho demonstra que nichos especializados seguem atraindo compradores e ampliando espaço no comércio internacional.
O dado também evidencia uma característica importante da indústria nacional: sua capacidade de diversificar a oferta e atender diferentes demandas de mercado, reduzindo a dependência de poucos materiais ou aplicações.
O que os números realmente dizem sobre 2026
A queda registrada em maio merece atenção, mas talvez não pelos motivos mais óbvios.
Os dados não apontam para uma crise estrutural nem para uma perda generalizada de competitividade das rochas brasileiras. O que eles revelam é um setor em processo de ajuste após um período de forte expansão, enfrentando principalmente os efeitos da desaceleração de seu maior comprador.
Ao mesmo tempo, os números mostram que pilares importantes da indústria permanecem sólidos. O quartzito continua sustentando boa parte da pauta exportadora nacional, a China amplia sua participação nas compras internacionais e novos nichos seguem surgindo dentro do mercado global.
Mais do que um sinal de enfraquecimento, o desempenho de maio parece representar um convite à reflexão sobre os próximos passos da indústria. Em um cenário internacional cada vez mais dinâmico, a capacidade de diversificar mercados, agregar valor aos produtos e antecipar tendências continuará sendo decisiva para manter o protagonismo brasileiro no setor de rochas naturais.






