Juliana Medeiros transforma rocha natural em experiência sensorial na Expo Revestir

Por Flávia Santanna, para marbows

Em um ambiente tradicionalmente marcado por estímulos visuais intensos, lançamentos simultâneos e alto fluxo de visitantes, a arquiteta e designer Juliana Medeiros escolheu seguir na direção oposta: criar silêncio.

Responsável pelo projeto de seis estandes na Expo Revestir, uma das maiores feiras de revestimentos e acabamentos da América Latina, Juliana assina também o espaço da Michelangelo Mármores do Brasil, onde desenvolveu um conceito que transforma a pedra natural em protagonista de uma experiência sensorial.

O projeto recebeu o nome “Sons de Silêncios”, uma proposta que convida o visitante a desacelerar, observar e perceber a matéria de forma mais profunda.

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Foto/Divulgação: André Mortatti

Um refúgio sensorial no meio da feira

No estande de 60 m² da Michelangelo, Juliana constrói um espaço que funciona quase como um contraponto ao ritmo acelerado das feiras comerciais.

Inspirada em sua busca pessoal por ambientes de contemplação e na experiência vivida nas Termas de Vals, obra icônica do arquiteto suíço Peter Zumthor, a arquiteta parte de uma premissa simples e poderosa: o silêncio não como ausência, mas como presença.

A pedra Branco Michelangelo® aparece como elemento central da narrativa espacial, explorada em diferentes texturas, profundidades e lapidações. A variação de acabamentos evidencia as qualidades naturais do material e revela como a rocha pode assumir diferentes expressões dentro do mesmo projeto.

Foto/Divulgação: André Mortatti

Quando arquitetura, som e matéria dialogam

O estande foi pensado como um percurso sensorial, onde o som também participa da arquitetura. Um projeto sonoro percorre todo o espaço, reforçando a atmosfera contemplativa e ampliando a percepção do visitante sobre o ambiente.

Esse diálogo ganha ainda mais força com a presença de uma escultura criada pelo artista Leopoldino Abreu, posicionada como elemento condutor da experiência. A obra atua quase como um mediador entre visitante, espaço e matéria, levando o público a diferentes camadas de percepção, da contemplação estética ao bem-estar sensorial.

A rocha natural como linguagem de projeto

Projetos como este evidenciam um movimento cada vez mais presente na arquitetura contemporânea: o uso da pedra natural não apenas como revestimento, mas como elemento narrativo dentro da arquitetura. Mais do que apresentar um produto, o estande da Michelangelo propõe uma reflexão sobre a relação entre matéria, tempo e percepção.

A pedra, formada ao longo de milhões de anos, torna-se aqui instrumento de uma experiência que valoriza pausa, permanência e conexão com a natureza, conceitos que dialogam diretamente com o atual momento da arquitetura, cada vez mais interessada em experiências sensoriais e materiais autênticos.

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Foto/Divulgação: André Mortatti

Arquitetura que cria experiência

Ao assinar projetos para seis marcas dentro da Expo Revestir, Juliana Medeiros reforça sua presença no circuito de arquitetura e design voltado para materiais naturais. Seu trabalho se destaca justamente por explorar o potencial expressivo da matéria, transformando estandes, muitas vezes concebidos apenas como vitrines comerciais, em espaços capazes de provocar sensações, narrativas e reflexão.

Em “Sons de Silêncios”, a pedra natural torna atmosfera, experiência e linguagem arquitetônica.

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