Por Flávia, especial para Marbows

O Espírito Santo segue no centro da produção e exportação de rochas ornamentais do Brasil. Em 2024, o setor faturou R$ 11,3 bilhões, divididos entre mercado interno (R$ 5,7 bi) e externo (R$ 5,6 bi), movimentando cerca de 1.500 empresas e 130 mil empregos. Só o Estado responde por 82% das exportações brasileiras, uma hegemonia rara em qualquer setor da economia nacional.

Os dados são do Data Business Stone, levantamento apresentado por Gabrieli Toniato, coordenadora de dados da Futura, durante a Cachoeiro Stone Fair 2025.
O poder dos números
As exportações capixabas mostram vigor: em 2025, o faturamento parcial já soma US$ 605 milhões, alta de 21,4% sobre o ano anterior. Chapas seguem como protagonistas, representando 83% do total exportado, enquanto blocos respondem por 10%.

Mas a concentração preocupa: 76% das chapas vão para os EUA e 80,6% dos blocos seguem para a China. Dois mercados que garantem escala, mas expõem o setor à volatilidade política e cambial.
Entre naturais e sintéticas
Se no passado a disputa era só entre mármore, granito e quartzito, hoje o jogo inclui concorrentes artificiais. Pedras sintéticas ganham mercado com padronização e preço competitivo. Mas, segundo o estudo, rochas naturais ainda carregam um peso simbólico de exclusividade, autenticidade e sustentabilidade – atributos valorizados em projetos de alto padrão e consumidores de maior poder aquisitivo.
Quartzitos, mármores dolomíticos e granitos clássicos permanecem no topo das preferências. O famoso “Taj Mahal” é citado como ícone de desejo.
Os gargalos que travam o setor
Apesar da força, os desafios internos são claros: alta carga tributária, custos trabalhistas, infraestrutura precária (estradas, portos, cabotagem), licenciamento lento e divergente entre estados, informalidade e sonegação.
Empresários relatam que, enquanto concorrentes como China e Itália operam com padronização e previsibilidade, o setor capixaba ainda esbarra em burocracias que encarecem e retardam negócios.
A batalha da comunicação
Outro ponto crítico está no marketing. Materiais sintéticos chegam ao mercado com especificações claras, quase como “bulas de remédio”. Já as rochas brasileiras sofrem com a falta de informação estruturada, o que limita a competitividade.
Há uma demanda urgente por campanhas educativas, certificações de origem e uma marca forte para o setor, inspirada em cases do agronegócio. Redes sociais e feiras já são usadas, mas ainda de forma insuficiente.
Futuro em blocos: otimismo cauteloso
Apesar das dificuldades, a visão é otimista. Pesquisados apontam que “basta os governos não atrapalharem” para que o setor avance. O potencial de expansão existe, sustentado por qualidade, diversidade e valor estético das rochas.
O desafio será equilibrar tecnologia, organização setorial e profissionalização da comunicação para consolidar o crescimento. Afinal, como resumiu um industrial: “Hoje é difícil imaginar um projeto de construção que não inclua rochas ornamentais.”





