Por Flávia, para marbows
Serra encerra 2025 não apenas na liderança das exportações capixabas de rochas naturais, mas no centro de uma mudança estrutural dentro do próprio Espírito Santo, concentrando 33,4% do valor total embarcado pelo Estado, o equivalente a US$ 381,7 milhões, com crescimento de 20%, um desempenho que deixa de ser circunstancial e passa a sinalizar consolidação estratégica, especialmente em um setor historicamente competitivo e altamente sensível às oscilações do comércio internacional.
Esse avanço ganha ainda mais relevância quando observado na linha do tempo recente, em que o município já vinha ampliando gradualmente sua participação nas exportações estaduais, sustentado por investimentos industriais consistentes, ampliação de capacidade produtiva e profissionalização comercial, movimento que agora atinge um novo patamar e redefine o equilíbrio interno do setor capixaba, posicionando Serra como eixo estruturante da expansão.
Enquanto produtos tradicionais enfrentaram retração, com queda de 10,1% no granito e 7% no mármore, Serra manteve tração apoiada na diversificação de destinos, ampliando presença na China, no México e em países europeus, estratégia que dilui riscos e demonstra maturidade comercial, evidenciando que crescimento sustentável depende menos da concentração em categorias específicas e mais de inteligência de mercado combinada com infraestrutura logística eficiente.
O ecossistema empresarial instalado no município ajuda a explicar esse protagonismo, empresas como a Vitoria Stone, a Decolores, a Brasigran, Zucchi e outras indústrias consolidadas na Serra vêm estruturando operações com foco em processamento de alto padrão, controle de qualidade, tecnologia e relacionamento internacional contínuo, criando uma base sólida que sustenta competitividade mesmo em cenários globais mais voláteis e exigentes.
Cachoeiro de Itapemirim segue como pilar histórico do setor, representando 31,1% das exportações estaduais, com US$ 355,6 milhões, preservando tradição e relevância, mas o ritmo de crescimento da Serra indica que o protagonismo capixaba passa por um novo eixo de expansão, menos dependente de ciclos específicos de produto e mais ancorado em modelo industrial integrado, diversificado e estrategicamente articulado.
Há uma mensagem clara embutida nesses números. O Espírito Santo continua líder nacional em rochas naturais, mas a dinâmica interna evolui, Serra assume posição que combina escala produtiva, proximidade logística e visão comercial internacional, consolidando um ambiente competitivo capaz de absorver retrações pontuais sem comprometer desempenho global, transformando adaptação em vantagem.
Se 2025 consolidou Serra como eixo estruturante das exportações capixabas, 2026 tende a ser o ano da prova de consistência, porque manter crescimento em um cenário internacional ainda sensível a oscilações geopolíticas, variações cambiais e ajustes na demanda exige mais do que capacidade produtiva, exige inteligência comercial, fortalecimento institucional e avanço em valor agregado. A expectativa é que o município amplie investimentos em tecnologia de beneficiamento, automação e diferenciação de portfólio, ao mesmo tempo em que intensifique presença em mercados estratégicos e consolide relações já abertas na Ásia, Europa e América do Norte, transformando diversificação em política permanente e não apenas reação tática.
O que muda para 2026 é a régua de comparação, Serra deixa de ser vista como polo emergente dentro do Espírito Santo e passa a ser parâmetro de desempenho, pressionando toda a cadeia a elevar padrão, eficiência e posicionamento internacional. Se o setor souber aproveitar esse momento para fortalecer narrativa, inovação e articulação global, o recorde recente não será lembrado como um pico isolado, mas como o início de uma nova fase de maturidade competitiva, na qual o protagonismo capixaba se sustenta não apenas em volume, mas em visão estratégica de longo prazo.






