“Nossa meta é clara: alcançar US$ 3 bilhões em exportações até 2030”, afirma Tales Machado, presidente do Centrorochas

Há declarações que não nascem do entusiasmo do momento. Nascem de trajetória, de consistência, de uma base que foi construída ao longo de décadas. Foi exatamente essa sensação que ficou quando Tales Machado, presidente da Centrorochas, afirmou com clareza que a meta do setor é alcançar US$ 3 bilhões de dólares em exportações até 2030, reconhecendo que é ambiciosa, sim, mas plenamente possível.

"É com essa base que o setor se permite a sonhar grande. Nossa meta é clara: alcançar US$ 3 bilhões de dólares em exportações em 2030. É ambicioso? Sim. Mas é possível. Nós sabemos que há desafios, alguns antigos, que precisam ser enfrentados com coragem e com diálogo.”
- Tales Machado, presidente da Centrorochas

Não se trata de uma projeção otimista desconectada da realidade. Trata-se de um objetivo sustentado por números concretos, por um histórico recente que já levou o Brasil ao patamar de US$ 1,5 bilhão de dólares em exportações, por um superávit comercial expressivo, por uma presença consolidada em mercados estratégicos e, sobretudo, por uma cadeia produtiva organizada, que aprendeu a trabalhar com planejamento, inteligência comercial e cooperação institucional.

É com essa base que o setor se permite sonhar grande, e o verbo aqui é importante, permitir-se, porque ambição responsável nasce quando há estrutura, quando há governança, quando há confiança na própria capacidade de execução.

O Espírito Santo, protagonista absoluto dessa engrenagem, simboliza essa maturidade. É aqui que está concentrada grande parte da indústria de beneficiamento, da inteligência exportadora, da tecnologia aplicada, da cultura produtiva que transformou a pedra natural brasileira em referência internacional. É aqui que a ambição de US$ 3 bilhões ganha contorno real, ganha fábrica, ganha porto, ganha emprego, ganha território.

O próprio Tales organizou essa agenda em três pontos centrais, que não são barreiras, mas alavancas de crescimento.

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Foto: Robson Cesco (Centrorochas)

Agilidade e previsibilidade no licenciamento: o tempo precisa acompanhar o mundo

O primeiro ponto é claro e estratégico: há uma necessidade urgente de modernizar o ritmo do licenciamento mineral e ambiental. Atualmente, uma empresa pode levar até oito anos e meio para iniciar uma operação, um prazo que não conversa com a realidade de um setor globalizado, no qual contratos internacionais, ciclos de investimento e decisões de mercado acontecem em um ritmo muito mais acelerado.

O que o setor pede não é flexibilização irresponsável, é previsibilidade, é cronograma claro, é segurança jurídica, é eficiência institucional compatível com a importância econômica da atividade, porque quando o Brasil consegue alinhar regulação com agilidade, ele não apenas destrava projetos, ele amplia competitividade internacional.

Modernizar o processo é fortalecer o setor, e fortalecer o setor é ampliar geração de divisas, empregos e desenvolvimento regional.

Infraestrutura e logística: competitividade nasce no território

O segundo ponto é estrutural, e talvez o mais visível. Somos um setor pesado, dependente de eficiência rodoviária e portuária, e cada quilômetro, cada operação portuária, cada ganho logístico impacta diretamente na margem e na competitividade global da rocha brasileira.

Avanços como o Porto da Imetame, previsto para 2028, representam muito mais do que uma nova estrutura física, representam uma mudança de patamar para o Espírito Santo, que já é o coração exportador do setor e pode se consolidar ainda mais como hub estratégico internacional.

Quando a infraestrutura acompanha a capacidade produtiva, o crescimento deixa de ser intenção e passa a ser consequência natural, e é exatamente essa conexão entre indústria e território que sustenta a meta de US$ 3 bilhões de dólares.

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Foto: ilustração gráfica do projeto previsto para o Porto da Imetame (ES BRASIL)

Modernização do transporte e equidade regional: expandir com coerência

O terceiro ponto envolve atualização das regras e uma visão mais conectada com a realidade da região. Modernizar as normas de transporte de rochas significa equilibrar segurança com prática operacional e com os avanços tecnológicos que o próprio setor já incorporou. A atividade evoluiu, passou a usar mais tecnologia, ampliou o controle e a rastreabilidade. Agora, é a regulamentação que precisa acompanhar esse novo momento.

Dentro desse cenário, existe também uma pauta estratégica para o sul do Espírito Santo, berço histórico da atividade, altamente industrializado, exportador e grande gerador de empregos. Hoje, essa região está fora da área de atuação da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE), que vai apenas até Aracruz. O Projeto de Lei 85 de 2025, de autoria do Evair de Melo, propõe corrigir essa distorção.

Não se trata de privilégio, mas de equilíbrio. Estamos falando de uma região que já entrega resultados, gera divisas e sustenta milhares de empregos. Com instrumentos adequados de política regional, pode atrair mais investimentos, ganhar competitividade e fortalecer não apenas o Espírito Santo, mas a economia nacional como um todo.

Os desafios citados por Tales não aparecem como barreiras, mas como uma agenda de evolução. Tornar o licenciamento mineral e ambiental mais ágil e previsível é um passo natural para um setor que atua em escala global e precisa de prazos compatíveis com o ritmo do mercado internacional.

A infraestrutura logística, especialmente rodovias e portos, também é decisiva para a competitividade. Projetos estruturantes, como o novo porto em Aracruz, mostram que o estado já está olhando para o futuro com visão de longo prazo. Ao mesmo tempo, atualizar as normas de transporte e discutir incentivos regionais é uma forma de alinhar segurança, tecnologia e crescimento produtivo.

Nada disso é colocado como reivindicação. É uma construção. O setor de rochas naturais quer crescer investindo, ampliar mercados fortalecendo relações institucionais e gerar mais empregos com sustentabilidade e previsibilidade. Quer avançar por meio do diálogo, confiando nas entidades que o representam e na capacidade do Brasil de acompanhar a maturidade de uma indústria que já provou sua relevância econômica e estratégica.

Quando se fala na meta de US$ 3 bilhões de dólares até 2030, fala-se em ampliar presença global, sofisticar ainda mais o produto brasileiro e consolidar a pedra natural como protagonista na arquitetura contemporânea. É transformar vocação geológica em liderança econômica. Não é exagero. É consequência de um setor que deixou de ser visto apenas como força bruta e passou a ser reconhecido por sua inteligência industrial, design, sustentabilidade e diplomacia comercial.

No fundo, a fala de Tales traduz um sentimento coletivo: a base já foi construída. E quando a base é sólida, feita de planejamento, cooperação e visão estratégica, crescimento deixa de ser aposta e passa a ser projeto. Um projeto que nasce da terra, mas alcança o mundo, colocando o Espírito Santo no centro de uma conversa que é regional, nacional e internacional.

Crescer acreditando

O setor de rochas naturais quer crescer, quer investir, ampliar empregos e conquistar novos mercados. E quer fazer isso com responsabilidade ambiental, previsibilidade institucional e diálogo permanente. Não se trata de crítica, mas de construção.

Há empresas comprometidas, entidades bem estruturadas, planejamento claro e visão de longo prazo. Quando se fala na meta de US$ 3 bilhões de dólares em exportações até 2030, fala-se de um objetivo sustentado por dados, governança e articulação institucional.

A ambição é real e a base já está consolidada. O Espírito Santo ocupa posição central nesse movimento. O próximo ciclo de crescimento dependerá da capacidade coletiva de alinhar regulação, infraestrutura e estratégia, para que o setor continue fazendo o que já sabe: transformar riqueza geológica em desenvolvimento econômico sólido e duradouro.

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