Evento reforça protagonismo capixaba, detalha o avanço do Hub em Abu Dhabi e projeta nova fase de internacionalização das rochas brasileiras
Por Flávia, para marbows
Cachoeiro de Itapemirim, no Espírito Santo, voltou a ser o centro das decisões estratégicas do segmento de rochas ornamentais. Na segunda edição do evento promovido pelo Centrorochas, empresas, autoridades e especialistas se reuniram para dois dias de debates intensos. O primeiro encontro aconteceu na sexta-feira e o segundo no sábado, somando uma programação densa que reafirmou o papel do Espírito Santo como referência nacional e ponte direta com o mercado internacional. Entre as pautas principais estiveram logística, padronização técnica, sustentabilidade e o avanço de estratégias para fortalecer a presença brasileira no exterior.

Defesa institucional e competitividade
Na abertura, o presidente do Centrorochas, Tales Machado, destacou a importância de manter o diálogo constante com o Governo do Estado e com o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, em torno de temas como redução tarifária, incentivos à exportação e melhorias na infraestrutura portuária. O diretor Fábio Cruz reforçou que a entidade vem articulando uma agenda de competitividade com o governador Renato Casagrande, reforçando que o setor precisa de uma visão integrada e de longo prazo para continuar crescendo. O primeiro dia deixou clara a necessidade de somar esforços entre indústria, governo e instituições para que o Brasil avance em competitividade e previsibilidade.

Foto: Arquivo Centrorochas
Logística em foco: Parklog, PortoCel e Imetame
O debate sobre logística destacou o avanço de projetos que prometem mudar o cenário de escoamento da produção capixaba. A VPorts apresentou o Parklog/ES, iniciativa que integra três portos (PortoCel, Imetame e o terminal da VPorts em Barra do Riacho), além de aeroportos, ZPE e conexões ferroviárias e rodoviárias. O projeto representa uma das maiores propostas logísticas do estado e reforça o papel do Espírito Santo como hub de exportação nacional. No mesmo painel, foram apresentados os avanços do PortoCel, em Aracruz, que tem investido em soluções como o sistema StoneLift, e do Porto da Imetame, uma das maiores plataformas multimodais em desenvolvimento no país.
Um Brasil que se instala no mapa global
Entre os temas mais esperados esteve a criação do Brazilian Natural Stone Hub nos Emirados Árabes Unidos. O executivo capixaba Ilson Hulle, que atua no setor logístico e mantém articulação com o Porto de Abu Dhabi, foi citado como uma das lideranças que vêm contribuindo para a estruturação do projeto. O Hub, idealizado pelo Centrorochas, deve funcionar como uma base logística, comercial e promocional permanente, com showroom, espaço de exposição, suporte à distribuição e inteligência de mercado. O objetivo é ampliar ainda mais o alcance das rochas brasileiras em mercados de alto valor agregado e consolidar a imagem do Brasil como referência em qualidade e design.
Para garantir que a estrutura seja sólida e sustentável, o Centrorochas estuda um projeto com a FIA, instituição ligada à Universidade de São Paulo, voltado à elaboração das políticas de governança do Hub, estrutura organizacional do Fundo de Promoção Setorial, estimativa de custos e um mini plano de negócios para as fases iniciais.
Padronização técnica e sustentabilidade
O segundo dia de evento abriu espaço para discussões voltadas à internacionalização técnica e à sustentabilidade. O Centrorochas propôs a criação de um catálogo técnico de rochas brasileiras seguindo as normas americanas ASTM e ANSI, com o objetivo de facilitar a especificação de materiais no mercado dos Estados Unidos. A proposta busca alinhar a linguagem técnica brasileira às exigências dos principais importadores mundiais, fortalecendo a presença da pedra natural nacional em novos projetos.

Outro destaque foi a proposta do Environmental Development Project (EDP), que está sendo estruturado em parceria com o Instituto Federal do Espírito Santo (IFES). O objetivo do projeto é realizar pesquisas voltadas a mensurar o impacto ambiental das indústrias de rochas no Brasil e avaliar o ciclo de vida dos materiais, analisando dados sobre consumo de energia, emissão de carbono e uso de recursos naturais. O custo de adesão ao programa será zero na fase inicial, o que deve incentivar a participação das empresas e ampliar a base de dados sobre sustentabilidade no setor.
Fundo de Promoção Setorial: da escuta à estratégia
Durante a participação do setor na feira Bond Custom 2025, realizada em outubro nos Estados Unidos, o Centrorochas promoveu um diálogo com arquitetos e designers, ouvindo quem especifica e planeja o uso de pedras brasileiras no exterior. Essa escuta resultou em um conjunto de demandas que fundamentam a proposta do Fundo de Promoção Setorial, voltado à promoção da imagem e da visibilidade das rochas brasileiras em mercados internacionais.
Entre as principais demandas identificadas estão a criação de uma plataforma online com catálogo de tipos, cores e pontos de venda das rochas brasileiras nos Estados Unidos, o envio de amostras para bibliotecas de materiais nos escritórios de arquitetura, a realização de palestras itinerantes em formato pocket nos próprios estúdios de arquitetura e a participação em eventos segmentados voltados a designers de interiores, como o Bond Interiors, também nos Estados Unidos. Outra proposta importante é a continuidade de ações educativas e técnicas como principal vetor de posicionamento, reforçando o valor da pedra natural brasileira como produto de excelência.
Reforma tributária e o impacto na competitividade
No painel de encerramento, especialistas debateram os efeitos da reforma tributária sobre a indústria exportadora. As discussões giraram em torno da implementação do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), que substituem tributos como ICMS, ISS, PIS e Cofins, e da garantia de imunidade tributária para exportações. A nova estrutura prevê a devolução de créditos acumulados de forma mais ágil, o que deve beneficiar diretamente empresas exportadoras. No entanto, os participantes alertaram para a importância de regras claras e de um processo eficiente de restituição, sem o qual o impacto positivo da reforma pode ser limitado. A previsibilidade tributária foi apontada como fator essencial para garantir a competitividade do Espírito Santo em relação a outros polos internacionais.
Espírito Santo: de produtor a protagonista
O Stone Core 2025 mostrou que o Espírito Santo deixou de ser apenas o maior exportador de rochas do Brasil para se consolidar como o articulador de um novo modelo de desenvolvimento para o setor. Com foco em infraestrutura, sustentabilidade, governança e promoção internacional, o estado reafirma sua vocação como coração da indústria brasileira de rochas naturais.
A marbows acompanhou de perto todos os debates e pautas apresentadas durante o evento como veículo de comunicação especializado, reafirma seu compromisso com a veracidade das informações, a valorização do setor e a difusão de conteúdos que conectam empresas, instituições e profissionais que constroem diariamente o presente e o futuro das rochas naturais brasileiras.






Tive e honra de participar deste encontro que realmente apresentou um entrega de alto nível, com a possibilidade de discursão aberta, franca e estratégica sobre os diversos spectros do setor de pedras naturais.
Tony Monteiro
Zomaq Equipamentos/ XCMG