Xiamen 2026: o que a presença brasileira na China revela sobre o futuro das rochas naturais

Flávia Santanna, com informações da Centrorochas

Há feiras que funcionam como vitrine. E há feiras que funcionam como termômetro.

A Xiamen Stone Fair, realizada entre os dias 16 e 19 de março na China, pertence claramente ao segundo grupo. É ali que parte relevante da indústria global de rochas naturais tenta compreender para onde o mercado está se movendo, quais materiais estão ganhando espaço e, principalmente, quais países estão reposicionando suas estratégias comerciais.

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Foto: Centrorochas

É nesse cenário que o Brasil chega à edição de 2026 ampliando sua presença. O país ocupará um pavilhão de 555 m² no Hall A5, reunindo 22 empresas exportadoras, duas a mais do que na edição anterior. A participação integra o programa It’s Natural – Brazilian Natural Stone, iniciativa da Centrorochas em parceria com a ApexBrasil voltada à promoção internacional das rochas naturais brasileiras.

Mas a presença brasileira em Xiamen vai além de uma ação institucional, ela revela algo maior sobre o momento atual do setor e esse algo passa, inevitavelmente, pela China.

A China voltou ao centro da estratégia global

Durante anos, a narrativa internacional das rochas naturais brasileiras se concentrou quase exclusivamente nos Estados Unidos, principal destino das exportações do setor. E os números continuam confirmando essa liderança.

Em 2025, o Brasil exportou cerca de US$ 1,5 bilhão em rochas naturais, crescimento de 17,5% em relação ao ano anterior. Os embarques chegaram a 132 países, ampliando a presença global da indústria brasileira. Nesse cenário, os Estados Unidos permanecem na primeira posição, com US$ 795 milhões em importações, o equivalente a 53,6% das exportações brasileiras. Mas logo atrás aparece um mercado que, silenciosamente, vem retomando protagonismo estratégico: A China.

Em 2025, o país asiático importou US$ 260,1 milhões em rochas naturais brasileiras, o que representa 17,5% das vendas externas do setor, consolidando-se como o segundo principal destino das exportações brasileiras. Na sequência aparece a Itália, com US$ 117,7 milhões, respondendo por 7,9% do total.

Mais do que um comprador, a China é um eixo industrial

Quando se observa o perfil das exportações brasileiras para a China, o papel estratégico desse mercado se torna ainda mais evidente. Dados recentes de inteligência setorial indicam que 84,2% das exportações brasileiras de rochas brutas têm como destino o mercado chinês (BI Centrorochas). Esse número explica muito da dinâmica global da indústria. A China não é apenas um grande comprador. Ela também funciona como hub de transformação industrial, absorvendo blocos naturais que depois retornam ao mercado internacional na forma de produtos beneficiados.

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Foto: Centrorochas

Esse movimento ajuda a entender o comportamento das exportações brasileiras no início de 2026. Segundo o relatório mensal de inteligência da Centrorochas, enquanto as exportações de rochas manufaturadas recuaram 37,6% no acumulado do ano, as vendas de rochas brutas cresceram 33,6%, impulsionadas principalmente pela demanda asiática. Em outras palavras, quando o mercado chinês se move, toda a cadeia produtiva global reage.

A trajetória de crescimento das exportações brasileiras para a China

O avanço da presença brasileira no mercado chinês não é um fenômeno recente. Ele vem se consolidando ao longo dos últimos anos.

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Foto: BI Centrorochas

Em 2021, o Brasil exportava US$ 154,9 milhões em rochas naturais para a China.

Em 2025, esse número chegou a US$ 260,1 milhões.

Grande parte desse volume está concentrado em três materiais:

Granito, responsável por 57,5% das exportações para a China, com US$ 149,5 milhões
Quartzito, com 24,2%, totalizando US$ 62,9 milhões
Mármore, com 11,9%, cerca de US$ 30,9 milhões

Essa composição confirma um padrão já conhecido dentro da indústria: a China continua sendo um dos maiores mercados globais para blocos naturais e matérias-primas geológicas.

Espírito Santo lidera a conexão com o mercado chinês

Quando se observa a origem dessas exportações dentro do Brasil, o protagonismo do Espírito Santo fica ainda mais evidente. Em 2025, o estado embarcou US$ 141,7 milhões em rochas naturais para a China, respondendo por 54,6% do total exportado pelo país para esse mercado.

Na sequência aparecem:

Minas Gerais, com US$ 56,3 milhões (21,7%)
Ceará, com US$ 25,8 milhões, estado que registrou crescimento expressivo de 309,6% em relação ao ano anterior

Mesmo com a diversidade geológica distribuída por diferentes regiões do país, a infraestrutura industrial e exportadora continua fortemente concentrada no Espírito Santo. Hoje, o estado responde por cerca de 80% das exportações brasileiras de rochas naturais.

A delegação brasileira em Xiamen

A participação brasileira na Xiamen Stone Fair reunirá 22 empresas exportadoras, que levarão à feira uma delegação de aproximadamente 70 representantes do setor.

Participam do Pavilhão Brasileiro: BMG Group Stone, Cajugram, Calvi Granitos, Decolores, Gramil, Granex do Brasil, Granneto, Guidoni, Madson Pedras, Magban, Magnitos, Margramar, MG2 Granitos, MGA, Monte Negro Granitos, Nova Aurora, Paraná Granitos, Pedra do Frade, Santo Antonio Stones, Terlos, Thor Granitos e Willcomex

Outras quatro empresas participam da feira pela primeira vez: BMG Group Stone, Calvi Granitos, MGA e Terlos.

Embora as empresas tenham origem em diferentes regiões do país, praticamente todas mantêm operações no Espírito Santo, consolidando o estado como principal polo produtivo e exportador da indústria brasileira de rochas naturais.

Um pavilhão que aposta na identidade brasileira

O Pavilhão Brasileiro foi concebido pelo arquiteto Rômulo Pegoretti e traz como conceito central a brasilidade, traduzida por meio de elementos sensoriais, design contemporâneo e valorização da natureza.

Entre os destaques está o Café Brazil, um espaço de convivência criado para receber visitantes, arquitetos e parceiros internacionais em um ambiente que combina hospitalidade e identidade nacional.

O espaço utiliza dois materiais brasileiros como protagonistas:

Quartzito Verdant, da MGA, aplicado na bancada, com tonalidade verde intensa e camadas ondulantes
Quartzito Red Xangô, da Cajugram, utilizado no revestimento de parede, com tons vermelhos profundos e forte presença visual

A proposta é simples: apresentar a pedra natural brasileira não apenas como material bruto, mas como solução estética e arquitetônica aplicada.

Arquitetos chineses entram no radar do Brasil

A agenda brasileira na feira começa no dia 16 de março, com a abertura oficial do Pavilhão Brasileiro.

Estão confirmadas as presenças de:

Alan Sellos, embaixador do Brasil na China
Victor Queiroz, gerente-geral do escritório Ásia-Pacífico da ApexBrasil
Tales Machado, presidente da Centrorochas

A programação inclui ainda a visita de aproximadamente 80 arquitetos da China Stone Association, reforçando o diálogo entre produtores brasileiros e especificadores do mercado asiático.

Essa aproximação com arquitetos e designers tem sido uma das estratégias mais importantes para ampliar a presença da pedra natural brasileira em projetos internacionais.

Uma feira que ajuda a ler o futuro do setor

Com 191 mil m² de área expositiva, mais de 2 mil expositores e expectativa de 150 mil visitantes, a Xiamen Stone Fair é considerada uma das maiores plataformas globais da indústria de rochas naturais.

Mas, para o Brasil, o evento representa algo ainda mais estratégico: ele mostra como a indústria brasileira continua ampliando sua presença internacional e, ao mesmo tempo, evidencia uma realidade que o setor conhece bem.

Mesmo com a liderança norte-americana nas exportações, a China segue sendo um dos motores silenciosos da geopolítica das rochas naturais. Porque, no fim das contas, quando o mercado chinês se move, todo o tabuleiro global da pedra natural se reorganiza.

“Se os Estados Unidos definem o valor das rochas brasileiras no design global, a China continua definindo o ritmo da indústria.”

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