Brasília reconhece o que o mundo já sabe: a força das rochas naturais nasce no Espírito Santo

Sessão solene na Câmara dos Deputados marca o reconhecimento oficial ao setor de rochas naturais e consolida sua dimensão estratégica para o Brasil

A Câmara dos Deputados abriu espaço, oficialmente, para reconhecer a força de um setor que há décadas sustenta empregos, exportações e desenvolvimento regional: a indústria brasileira de rochas naturais. A sessão solene homenageou os 21 anos da Centrorochas e os 52 anos do Sindirochas, entidades que estruturaram institucionalmente uma cadeia que nasceu da pedra bruta e se transformou em referência global.

Proposta pelo deputado Evair Vieira de Melo, a solenidade reuniu lideranças políticas e empresariais em um movimento que simboliza algo maior: a indústria deixando o anonimato e ocupando o centro do debate nacional.

Estiveram à mesa o vice-governador do Espírito Santo, Ricardo Ferraço; a secretária nacional de Geologia, Mineração e Transformação Mineral, Ana Paula Lima Vieira Bittencourt; o presidente da ApexBrasil, Jorge Viana; o diretor-presidente da Agência Nacional de Mineração, Mauro Henrique Moreira Souza; o presidente do Centrorochas, Thales Machado; e o presidente do Sindirochas, Bismarck Bacchetti.

Entre as presenças estratégicas, também esteve Flávia Milaneze, cuja trajetória está diretamente ligada à internacionalização e à consolidação das feiras brasileiras no calendário global do setor.

A primeira vez que o Congresso olha para a pedra

Logo na abertura, foi registrado um fato histórico: era a primeira vez que o Congresso Nacional realizava uma homenagem formal ao setor de rochas naturais. Estamos falando de uma cadeia que gera aproximadamente 480 mil empregos diretos e indiretos no Brasil, exporta para mais de 130 países e mantém superávit comercial superior a US$ 1,4 bilhão. Uma indústria que movimenta bilhões, mas que raramente ocupa o centro das decisões políticas.

A mensagem que atravessou os discursos foi clara: o setor pede previsibilidade, segurança jurídica, licenciamento compatível com a dinâmica global, infraestrutura logística eficiente e estabilidade regulatória.

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Foto: Centrorochas

Espírito Santo: o coração produtivo

Ricardo Ferraço, trouxe a dimensão territorial do impacto. O Espírito Santo concentra grande parte das exportações brasileiras de rochas naturais e se tornou o principal polo de beneficiamento das Américas. Mais que números, ele reforçou a lógica estrutural: cada pedreira ativa representa emprego no interior, desenvolvimento regional e permanência econômica em municípios que dependem diretamente da atividade.

O setor que amadureceu

A fala de Thales Machado foi construída sobre história e estratégia. Ele resgatou a origem organizada da atividade no sul do Espírito Santo, a consolidação institucional a partir da criação do Sindirochas na década de 1970 e o papel estruturante do Centrorochas na articulação nacional e internacional.

Mas o ponto central foi outro: o setor só chegou até aqui porque aprendeu a atuar coletivamente. Hoje, o Brasil é o quarto maior produtor mundial e o quinto maior exportador de rochas naturais. São cerca de 9 mil estabelecimentos espalhados pelo país, majoritariamente micro e pequenas empresas. A exportação deixou de ser predominantemente de blocos e passou a concentrar chapas e produtos beneficiados, com alto valor agregado.

Mesmo em um cenário internacional tensionado, o setor registrou crescimento de 17,5% nas exportações. E estabeleceu uma meta objetiva: alcançar US$ 3 bilhões até 2030.

Diplomacia comercial e posicionamento global

O convênio entre a ApexBrasil e o Centrorochas foi citado como eixo estratégico para ampliar presença nos Estados Unidos, Índia, Emirados Árabes e outros mercados prioritários.

Hoje, cerca de 90% das exportações beneficiadas brasileiras têm como destino o mercado norte-americano, onde o Brasil lidera participação. Ao mesmo tempo, o setor ampliou diálogo com arquitetos, designers e especificadores, uma mudança de abordagem que vai além da venda e trabalha posicionamento de imagem.

Infraestrutura como decisão estratégica

A discussão logística não ficou à margem. O CEO da Imetame, Gilson Pereira, apresentou o novo porto multipropósito em construção no Espírito Santo, com operação inicial prevista para carga geral já no próximo ano e terminal de contêineres projetado para 2028.

Para uma indústria pesada, dependente de eficiência rodoviária e portuária, infraestrutura é competitividade.

Sustentabilidade e percepção pública

O presidente da ANM, Mauro Henrique Moreira Souza, trouxe uma reflexão relevante: a mineração ainda enfrenta desafios de percepção pública. O setor de rochas naturais, no entanto, tem sido exemplo de evolução. Reúso de água em circuito fechado, tecnologia embarcada e maior rastreabilidade mostram que competitividade e responsabilidade ambiental não são agendas opostas.

Bismarck Bacchetti reforçou que o enfrentamento direto dos problemas, ao longo das décadas, foi determinante para a maturidade atual da cadeia.

A pedra que sustenta mais do que edifícios

A apresentação da Camerata Jovem, projeto da Rochativa, trouxe uma dimensão que muitas vezes não aparece nas planilhas: impacto social. São cerca de duas mil crianças e adolescentes atendidos por projetos culturais, esportivos e educacionais vinculados ao setor. A cadeia produtiva, nesse contexto, ultrapassa o chão da pedreira e alcança a base social.

O que ficou depois do encerramento

Ao final da sessão, ficou evidente que não se tratava apenas de uma homenagem institucional. Foi uma afirmação pública de que a indústria brasileira precisa ser reconhecida como eixo estratégico de desenvolvimento.

O setor de rochas naturais deixou o plenário com algo que vai além de aplausos: saiu com legitimidade política ampliada, agenda estruturada e metas claras. A pedra natural brasileira já sustenta projetos icônicos pelo mundo.

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