Por Flávia para marbows
O tarifaço imposto pelos Estados Unidos não foi apenas uma notícia ruim de jornal, foi uma pancada certeira no coração do setor de rochas ornamentais do Espírito Santo, que tem nos americanos o seu principal destino de exportação. De repente, o custo de entrada subiu 50% e centenas de empresas capixabas passaram a fazer conta para saber se conseguiriam manter contratos, turnos e empregos.

Agora, o socorro chega: o BNDES abriu oficialmente as linhas do programa Brasil Soberano para as empresas diretamente atingidas pelas tarifas. É capital de giro emergencial, crédito com juros abaixo da Selic e garantias via FGE para destravar operações, além de uma linha voltada à diversificação de mercados. Ou seja, dinheiro vivo para quem precisa atravessar o corredor de incertezas sem desligar as máquinas.
A prioridade é clara: terão preferência empresas que, entre julho de 2024 e junho de 2025, tiveram pelo menos 5% do faturamento em exportações dos itens atingidos. Para o setor de rochas capixaba, isso significa praticamente todo mundo. O Espírito Santo concentra mais de 70% das exportações nacionais do segmento e, por isso, se torna epicentro natural desse pacote de apoio.

Na coletiva de anúncio, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, foi direto:
O BNDES vai socorrer todas as empresas e a contrapartida é manter os empregos para a economia continuar crescendo e o país não ser prejudicado por essas medidas autoritárias, unilaterais e injustificadas. O governo do presidente Lula busca a negociação e não vai deixar ninguém para trás.
Aloizio Mercadante, presidente do BNDES
Para as rochas capixabas, a fala é mais do que simbólica: ela reforça que o setor está no radar de Brasília e que a sobrevivência das empresas não depende apenas da diplomacia, mas também de crédito imediato para segurar caixa e preservar postos de trabalho.
O movimento também abre uma janela estratégica. Se o mercado americano aperta, as linhas de diversificação podem financiar a prospecção em outros destinos, como Oriente Médio e Europa, onde a pedra brasileira tem espaço para crescer. Em paralelo, o fôlego de caixa permite que o setor mantenha o ritmo de produção e não perca musculatura em um momento delicado.
No Espírito Santo, onde já vinham sendo estruturadas medidas locais de apoio, o anúncio do BNDES funciona como a camada federal que faltava para dar segurança de longo prazo. É o tipo de gesto que muda a narrativa: de setor acuado pelo tarifaço para setor preparado para resistir, negociar e buscar novos horizontes.





