Por Flávia para Marbows
Com 52 votos a 48, Senado americano sinaliza desconforto com tarifas contra o Brasil, mas alíquotas seguem até novo posicionamento da Câmara.
O Senado dos Estados Unidos aprovou na terça-feira, 28 de outubro 2025, uma resolução que busca revogar a base legal das tarifas especiais de até 50% sobre produtos brasileiros, impostas no contexto da declaração de emergência do governo Trump. Cinco republicanos se uniram à bancada democrata para garantir o placar, mas a decisão não suspende a cobrança: a Câmara dos Deputados já comunicou que mantém bloqueio à pauta pelo menos até março.
O avanço no Senado indica um incômodo crescente no Congresso diante da pressão de exportadores brasileiros, especialmente dos setores mais afetados pelas tarifas, como o de rochas capixabas. Ainda assim, os efeitos práticos dependem de nova deliberação legislativa. A combinação entre a indefinição política e as disputas orçamentárias americanas aumenta a imprevisibilidade para o planejamento logístico e financeiro das empresas do Espírito Santo.

O que muda
O resultado da votação expõe a divisão interna na política comercial dos Estados Unidos, reacendendo o debate sobre as tarifas e suas consequências econômicas. A sinalização do Senado é favorável à retomada do diálogo diplomático, com potencial para abrir espaço a negociações bilaterais entre Brasil e EUA. Além disso, o placar apertado revelou uma dissidência dentro da própria bancada republicana, que questiona a continuidade de medidas herdadas do governo Trump.
O que não muda
Apesar do movimento político, a tarifação de até 50% sobre exportações brasileiras, incluindo as rochas capixabas, permanece em vigor. A Câmara dos Deputados formalizou que não pretende pautar propostas para revogar as tarifas antes de março de 2026, o que mantém o cenário de custos adicionais e incerteza comercial para as empresas exportadoras. Enquanto isso, o setor segue lidando com margens reduzidas, ajustes de precificação e estratégias para mitigar impactos logísticos.
Próximos passos
A reabertura da discussão está prevista para março de 2026, quando a Câmara dos Estados Unidos deve retomar o tema. Até lá, exportadores brasileiros acompanham de perto a evolução das negociações presidenciais entre Brasil e EUA, ainda sem data definida para um novo acordo. Caso a pauta avance no Congresso, o risco de veto presidencial continua sendo uma variável importante no tabuleiro político americano.
Na prática do galpão, o horizonte segue indefinido entre a espera por decisões políticas e o ajuste de cada embarque, empresas capixabas continuam buscando clareza para operar. A mensagem central por enquanto é de atenção redobrada: a votação no Senado sinaliza mudança de clima, mas nada muda no caixa hoje e o setor deve se manter em alerta, acompanhando cada novo passo no calendário americano, enquanto a rotina dos exportadores segue marcada por cautela e expectativa.





