Por Flávia, para a Marbows
A semana começou com agenda cheia em Washington. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) levou uma comitiva empresarial para dialogar com autoridades e lideranças do Congresso dos Estados Unidos nos dias 3 e 4 de setembro. O objetivo é claro: explicar efeitos do tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros, abrir caminho para exceções e reduzir a insegurança regulatória que hoje trava vendas e embarques.

No centro da pauta, o setor de rochas ornamentais. Em entrevista ao canal Times Brasil no dia 2 de setembro, Tales Machado, presidente do Centrorochas, cravou o diagnóstico que quem opera no dia a dia já sabe. Os Estados Unidos é o principal destino do material brasileiro, e o Brasil é um dos mais relevantes fornecedores daquele mercado. A relação é antiga, consistente e baseada em performance técnica. O que sai do Espírito Santo e de outros polos exportadores chega às marmorarias americanas em forma de chapas polidas, abastece fabricators, entra em cozinhas, banheiros, áreas gourmet e revestimentos que ditam o gosto de consumidores e especificadores.
O ponto sensível está na mudança abrupta de preço na alfândega. Um acréscimo que eleva a tarifa para até 50% muda o jogo de quem vende e de quem compra. Na prática, encarece projetos, alonga prazos, piora previsibilidade de margem e empurra decisões de compra para depois. É o tipo de choque que afeta desde contratos já negociados até pedidos que estão na fila de produção.
Há uma avenida técnica que o setor quer escancarar nas conversas. O quartzito brasileiro ganhou protagonismo lá fora, tem dureza elevada, aceita polimento alto e, por enquanto, tem produção relevante concentrada no Brasil. A mensagem é simples e direta: se há reconhecimento de material que o mercado americano valoriza por desempenho e estética, faz sentido ampliar a lista de exceções e tratar mármores, granitos e ardósias com o mesmo cuidado. Em outras palavras, proteger uma cadeia que funciona bem para os dois lados.
Segundo Tales Machado, a agenda em Washington começa cedo começando com reuniões com congressistas no Capitólio, espaço para apresentar dados e a dinâmica da cadeia, participação em audiência pública ligada ao escopo da Seção 301. Nada de retórica vazia, foco em técnica e previsibilidade. O recado que a comitiva leva é pragmático: a tarifa punitiva não corrige distorções, apenas cria novos gargalos. A solução passa por calibragem, por um cronograma de revisão e por exceções que preservem o abastecimento das marmorarias e a competitividade de quem compra e especifica nos Estados Unidos.
O setor não pede privilégio, pede racionalidade. Se o objetivo é proteger a concorrência leal, vale ouvir quem compra, quem transforma, quem instala e quem vive do calendário real de obra. Exceções bem desenhadas garantem continuidade de fornecimento, evitam solavancos em contratos e protegem empregos nas duas pontas, no Brasil e nos Estados Unidos.
Qual é a régua de sucesso desta missão?
O melhor cenário é a ampliação imediata das exceções para materiais de maior giro, como granitos e mármores, com comunicação clara sobre prazos e procedimentos. Um cenário intermediário inclui compromissos públicos de revisão, com datas e critérios objetivos. O pior cenário, a manutenção integral do tarifaço, não interessa a ninguém e custa caro para o consumidor final.
A Marbows segue acompanhando a agenda em Washington e seus desdobramentos no Espírito Santo. Porque para quem vive de rocha, cada decisão regulatória não é manchete, é linha de produção, é navio que atraca, é orçamento que fecha ou não fecha.
Para acompanhar a entrevista completa, assista no canal da Times Brasil: https://youtu.be/WoS_atz1WTs?t=10198





