“O dever de casa é nosso”: Mariana, gerente de Marketing da Pemagran

Mariana Sandrini

Mariana Sandrini, gerente de Marketing da Pemagran, saiu da 36ª Cachoeiro Stone Fair com uma convicção que dispensa floreio. A feira vive seu melhor momento em anos, mais organizada, profissional e orientada a negócio. O que falta para o setor destravar o próximo ciclo é menos vitrine e mais alinhamento entre linguagem, público e prioridades. Em português claro, ampliar a base local de expositores e falar continuamente com quem cria demanda, os especificadores.

“A feira potencializou. Está mais organizada, focada em trazer negócios, e os painéis ajudam a profissionalizar o setor. O nível subiu. Atendimento, apresentação do produto, qualidade dos estandes. Está todo mundo mais preocupado em fazer bem feito.”

A fotografia é boa, a agenda é agora

O diagnóstico de Mariana mira ação imediata. “Temos uma média de duas mil empresas de pedra só em Cachoeiro e arredores. Essas empresas precisam estar aqui também. A feira é uma data estratégica no nosso calendário, os clientes se programam para agosto e esperam nos encontrar. É investimento, é relacionamento mas falta viabilizar a presença de quem ainda não participa”, diz.

Viabilizar não é palavra de efeito. É remover barreiras reais, custo, logística, clareza de proposta e curadoria de conteúdo. “Se a feira é ponto de encontro do mercado, a base produtiva local tem de aparecer em peso. Fortalece o setor, qualifica o visitante e dá densidade para os negócios acontecerem.”

Setor jovem, comunicação em amadurecimento

Mariana puxa o contexto histórico para ajustar expectativas. “Rochas naturais em Cachoeiro de Itapemirim, do jeito que operamos, têm pouco mais de 60 e ainda estamos construindo, desenvolvendo, profissionalizando.” A leitura dela é direta, nos últimos anos o setor entendeu melhor quem é o seu público e isso muda tudo.

Quem é esse público?

“Não é só o marmorista, não é só o distribuidor local como ponto final. Nosso público-alvo precisa ser o especificador, o formador de opinião mesmo que ele não compre diretamente, é ele quem gera demanda.”

O recado vem com alerta operacional. “Se o arquiteto não conhece e não especifica sua rocha, você pode parar uma pedreira e com isso a cadeia toda sente.”

O dever de casa não se terceiriza e aqui está o eixo central

“O dever de casa é nosso, dos donos de pedreira e da indústria em apresentar, levar conhecimento, mostrar variedade, garantir qualidade na entrega. Os distribuidores e parceiros são pontes valiosas para chegar aos arquitetos, mas a obrigação de educar o mercado começa com a gente.”

Traduzindo em execução, o que chega à mesa do especificador precisa ser compreensível e desejável, com informação útil e prova de uso. “Aplicação real, cases, amostras bem trabalhadas, linguagem visual consistente e atendimento preparado para dialogar com especificadores. Não é só postar, é explicar, é reduzir atrito.”

Concorrentes são peças de um ecossistema

Mariana provoca uma mudança de lente para abandonar o mito do grande ringue. “Nem todo mundo concorre com todo mundo pois as pedras são diferentes, os mercados diferentes, as faixas de preço diferentes e eu não enxergo o setor como um grande ringue mas entendo que o que falta é união para fazer o que uma empresa sozinha não alcança.”

União tem método. “Comunicação e linha editorial. Precisamos apontar para o mesmo público e falar de forma alinhada. Cada um com a sua estratégia individual, claro, mas com um norte comum. Se cada empresa comunica de um jeito, sem referência setorial, a mensagem se dilui. Para virar a página, o setor precisa combinar linguagem, intenção e calendário.”

Menos sobre o evento, mais sobre a virada

A feira aparece aqui como cenário e não como protagonista e o que sustenta a próxima curva de crescimento é consistência fora do pavilhão. Cadência de relacionamento com arquitetos, repertório técnico aplicado, materiais que viajem bem, equipe treinada para converter demanda técnica em pedido fechado. A régua subiu, a régua precisa se manter.

2026 começa no briefing de hoje

E ela volta ao ponto de partida, firme e didática. “O dever de casa é nosso. A feira ajuda, os painéis ajudam, os parceiros ajudam, mas quem muda o jogo é a indústria quando assume a responsabilidade de ensinar o mercado, de atender bem e de falar a mesma língua dos especificadores. É assim que a gente sai da edição boa e entra no ciclo bom.”

Confira a matéria completa na nossa edição especial da cobertura da Cachoeiro Stone Fair.

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